Poema Meu - És Quem Finge/Esfinge


Lhe decifrei, esfinge —
Mas ainda assim permito que me devore.
Não entendo por que você ainda finge,
Por que permite que essa digestão demore.

Já não há flores neste deserto
Que sustentem o bem ou o mal querer.
Mas talvez haja um oásis por perto,
Onde, enfim, eu possa lhe reconhecer.

Permiti-me daquela água beber,
E, ao saciar a sede, encontrei um vício.
Não deveria ter me banhado no oásis...
Era melhor ter saltado do precipício.

De todo esse mistério, agora rio,
Pois já não há nada que me alimente.
Não há motivo pra seguir neste vazio.
Não há razão para não partir de repente.


por Afonso Baldez

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