Poema Meu - Reservado
Tenho um vinho diante de mim, agora, esperando a hora de ser sorvido, servido. Dormido em barris de carvalho, enquanto eu dava tempo ao tempo. Minha fronte se orvalhava; deixava gotas de mar nas maçãs do meu rosto. Sem sol, só sal. Um coração frio, como o vento do sul. minuano. Tão distante quanto as fronteiras que levantaste entre nós. E só nós sabemos do vinho guardado para ocasiões especiais. Há um vinho bem aqui, diante de mim. Já não sei a hora, nem a ocasião. Que seja especial ou não. Que seja tristeza ou festa. Que seja contigo ou apenas comigo. Porque só eu sei o quanto é solitário estar junto de ti. Então prefiro brindar sozinho. Este vinho, tinto, triste e fresco, que tinge de rosé a minha face, enquanto sigo, linha após linha, cingindo de vinho as pérolas dos meus dentes e manchando, lentamente, o branco das páginas que um dia esperei escrever contigo. por Afonso Baldez