Poema Meu - Agora Ainda Não
Estou esperando a vez
Dos que perderam a vez,
Sentado no banco do quase,
Ouvindo o eco do talvez.
Dos que perderam a vez,
Sentado no banco do quase,
Ouvindo o eco do talvez.
Guardei as palavras que não dissemos,
Dobrei os gestos que não couberam,
Anotei os planos que esquecemos
E reguei os sonhos que não cresceram.
Não é saudade do que foi,
Mas do que quase seria.
É memória do gesto contido,
Do beijo que não viria.
Talvez, se a roda girar,
E o tempo se distrair,
Eu possa enfim levantar
E fazer acontecer o porvir.
Quero, quando for minha vez,
Não mais hesitar no começo.
Quero deixar o silêncio pra trás
E dar voz ao que mereço.
Quero fazer acontecer
O que a gente não fez.
E se não houver mais “a gente”...
Que eu me faça de vez.
por Afonso Baldez

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