Poema Meu - Laços e Nós


Pensei que fôssemos laços.
Mas fomos nós.

Pensei que, gentilmente,
envolvíamos nossa presença
como presente.

Mas sendo nós,
sendo a gente,
estávamos cegos, atados.

E sempre que tentávamos
nos desamarrar,
saíamos machucados.

Laços, geralmente de cetim
permanecem juntos para sempre.
Mesmo quando o presente perde o entusiasmo,
basta uma pequena fonte de calor
e o laço volta
a esperar a sua presença,
o seu reencontro.

Nós são cegos.
Não veem um palmo à frente,
não veem além do ego.

Machucam quando desatados.

Nós de corda apertam, prendem.
A forca sufoca
com a pressão no pescoço.

E ainda assim
são os nós e a corda
que nos tiram
do fundo do poço.

Queria que fôssemos laços.

Mas fomos nós.

Queria que continuássemos
em presente,
em presença.

Mas quando nos soltamos
nos ferimos

e acabamos
por fim
sós.

por Afonso Baldez 

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