Poema Meu - 12 de Junho


Tenho aqui guardado,
envolto em papel-presente,
à espera da tua presença
para enfim ser entregue.

É prova de que eu te ouço,
de que tua vida me importa,
mesmo quando, de forma torta,
erro os caminhos da resposta.

Escolhi cada detalhe
como quem aprende a dizer
aquilo que a voz não sabe,
mas as mãos insistem em fazer.

Agora repousa esquecido
sobre uma prateleira qualquer,
um gesto que perdeu o destino
no instante em que te perdeu.

Espero que, onde estiveres,
alguma lembrança ainda guarde
o carinho posto nesta peça
que hoje ninguém há de levar.

Pois o presente permanece,
intacto, esperando talvez,
enquanto a pessoa que o faria sentido
já não volta outra vez.

por Afonso Baldez


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