Poema Meu - Na Porta


A soleira de sua porta
tornou-se meu país

moro nessa estreita faixa
entre a chegada e a partida

ali onde os relógios não sabem o tempo
e os desejos envelhecem na planta do pé

Você mora depois da madeira

E eu
antes dela

e há noites em que penso
que a distância entre nós
não cabe em quilômetros

Mas na espessura de uma porta
que apenas um de nós
tem o poder de abrir.

por Afonso Baldez

Comentários

Postagens mais visitadas

✉ Receba novos textos diretamente no seu e-mail