Poema Meu - De Mim


É oco, vazio e frio aqui.
É feio, nojento, repugnante aos meus olhos.
É coisa — e não gente — o que me parece.
Talvez seja de alma que este corpo carece.

Falta brilho aos olhos,
Falta voz à boca,
Falta força e vontade a essa entidade
Que vive um hiato, à espera
Daquilo que nem a eternidade há de encerrar.

Os dias passam. Os dias se arrastam.
A armadura diária já está completamente gasta.
O tempo sopra memórias tristes aos ouvidos —
E não há alegria que a esse mal afaste.

Vive uma solidão povoada de fantasmas,
Os únicos que pode chamar de amigos.
Habita uma existência exausta, consumida,
Fazendo de si mesmo o seu maior inimigo.


por Afonso Baldez

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