Poema Meu - Principio / Precipício
De encontro ao princípio,
Brisa calma me afaga a nuca.
Me faz encarar o precipício,
Encarando o suplício.
Não sei se a vontade é de voar
Ou de acabar com esse martírio.
Acontece que eu só espero que acabe,
Espero que finde — ou que eu reaja.
Espero que nada mais me atinja,
Espero que o lúgubre me afague.
Enquanto isso, grãos de areia caem lentamente.
E, quando caem, o som que fazem é ensurdecedor.
Faz lembrar que, ou eu voo, ou o precipício me engole.
Faz lembrar que quem vejo no espelho hoje é outro.
Faz lembrar que ainda há tempo para perdoar.
Faz lembrar que talvez quem procuro, não encontre.
Faz lembrar que talvez eu ainda seja capaz de amar.
Para fim de conversa,
Não há fala esperançosa que me convença.
Não me há tempo sobrando —
E talvez o precipício vença.

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