Poema Meu - Eu, Judas
Eu atraí o ímpar,
quando deveríamos ser par.
Deixei meu caos reinar.
Minha dúvida insistente
fez mal pra mim —
e, consequentemente,
fez mal pra nós, pra gente.
Mais de três mil dias
sabendo o que eu queria,
o que eu sentia,
por quem eu sentia...
E não foi suficiente.
Eu, Judas,
sucumbi à dúvida mais desconexa.
Me conectei com o trivial,
quis a resposta pra essa questão —
e a resposta veio natural.
Como naquela máxima,
máxima que agora faz todo sentido:
digo isso porque ela foi embora,
me deixando de castigo.
Levou com ela todo o ódio.
Enquanto o amor...
ficou todo comigo.
Fui Judas.
Tive meu ídolo traído.
por Afonso Baldez

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