Poema Meu - Fome


Minha boca deságua em saliva
quando penso em você nua —
crua, servida em minha cama,
pele quente,
e eu, faminto de você,
a ranger os dentes.

Não te devoro — te degusto.
Mastigo lentamente.
E em cada mordida,
em cada lambida,
sinto teu gosto:

o sabor doce da tua pele,
pele perfumada de mulher.

Minha boca deságua em saliva
com toda a tua beleza,
pois você é ceia inteira —
banquete, manjar, sobremesa.

Te quero sempre em minha cama,
não sobre a mesa.

E quanto à fome que tenho de você:
é fome de você,
tenho certeza.

por Afonso Baldez

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