Poema Meu - T Maiúsculo
O sibilo no vento,
Os gemidos na noite,
As carícias em brisas,
O frio — um açoite.
Sorte de quem repousa em companhia,
Azar de quem espera acordado pela luz do dia.
Sorte daqueles que têm o calor do outro,
Azar o meu, que tem espaço vazio na cama.
Ouvem-se passos lá fora,
Ouve-se o tempo passar no relógio,
Ouvem-se meus pensamentos gritando,
Ouve-se a noite ditando as ordens.
O sibilo... queria o da tua voz.
Nossos gemidos, rasgando a noite.
As carícias de nossas mãos, eu anseio.
Não haveria frio — só os nossos corpos.
Mas é só isso: imaginação.
Num corpo transbordando vontade,
Em uma noite que... não é de verdade.
por Afonso Baldez

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