Poema Meu - Autonomia


É olhando no fundo dos teus olhos
Que reparo: tua íris guarda mais de mim que eu mesmo.
É sentindo teu cheiro
Que noto — há mais do meu perfume em ti que em mim.
É tocando tua pele
Que descubro: o meu toque vive mais em você que em mim.
É ouvindo tua voz dizer meu nome
Que percebo — conheço mais teu som que o meu silêncio.
É observando teus gestos
Que vejo mais admiração em mim por ti que por mim mesmo.
É te amando
Que entendo: o amor que tenho por você me atravessa mais do que o amor por mim.
É escrevendo este poema
Que me ocorrem perguntas sem resposta:
Quem sou eu, sem você?
E você, quem é, sem mim?
por Afonso Baldez

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