Poema Meu - Funeral da Intimidade


Não sou coveiro
Não consigo preencher vazios com corpos alheios
E depois ficar alheio à existência dos mesmos.

Não sei o que é, ou o que era.
Como ignorar o tamanho desta cratera?
Gritar para ela — e não receber resposta alguma.

Que eu fique frio, com frio,
Mas que eu fique só.
Não quero mais ter de tatear o sol:
O calor que queima, a solidão.

Aflito, afoito, ansioso,
Querendo gozar, de novo, tua companhia —
Mas não a dos cadáveres que,
Assim como eu,
Estão vazios,
Mas optam por preencher o vão,
Procurando um próximo cadáver
Na noite,
Na multidão.

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