Poema Meu - Talante
O meu querer não tem hora
Ele morde, com fome
Como bicho ferido
Que não pergunta se pode.
É agora.
O que eu quero
É sempre ontem:
Um já foi
Um nunca basta
Um incêndio que não espera
Nem se explica.
Quando eu quero,
Quero o todo —
Mas tropeço,
Caio em mim mesmo,
Puxo o instante pelo braço
Como se o tempo fosse maleável.
E quando chega,
Talvez já não queira mais.
Tudo se desfaz em cinza,
Em rastro,
Em nada.
E ainda assim,
Não me importa se hei de perder.
por Afonso Baldez

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