Poema Meu - Hiperosmia


Como lavar os lençóis sem tirar o perfume dela?
Nem a janela eu abro mais —
Com medo de que o cheiro escape.

E que perfume tinha ela...
Que aroma era o dela!
Nenhuma flor poderia se igualar.

Proibi até o meu nariz de novos cheiros inalar —
Jurei guardá-lo para uma única coisa:
Para aspirar o corpo dela,
Para lembrar dos abraços,
Do cheiro que me envolvia e impregnava.

Sentir outros aromas? Já não consigo.
Tudo em mim rejeita o mundo —
Exceto o desejo de senti-la,
A vontade de cheirá-la,
De inalá-la,
De respirá-la inteira.


por Afonso Baldez

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