Poema Meu - Ocular


Meus olhos não te devoram — eles te degustam,
Te desejam, te acariciam.
Meus olhos têm vontade própria de você,
E eu não os culpo:
Eles só fazem o que meus pensamentos querem.
E meus pensamentos… só querem você.

Espero que sinta — como sentem meus olhos,
Como meu toque anseia:
Não apenas te tocar com o olhar,
Mas também com minhas mãos firmes
E com toda a sua leveza.

Meus olhos reconhecem a tua beleza.
E eu reconheço a beleza que eles veem.

O que meu olhar não decifra
É a sutileza das tuas nuances:
Ora desejando o aqui, o agora,
Ora se perdendo no tempo,
Perdendo a hora.

Me pergunto onde estás,
E como permito que partas,
Se meus olhos ainda te pedem para ficar.

Que bom que teus olhos também olham para os meus.
Que bom que és alimento para o meu olhar.
Que bom que dividimos alguns instantes —
E que permitiste, por um momento,
Que teus olhos e os meus
Fossem pares.

Pudemos compartilhar as almas e os desejos,
E tudo o mais que um olhar pode dizer,
Sem sequer precisar falar.


por Afonso Baldez

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