Poema Meu - Parede


Essa noite, falei com as paredes
sobre a dor que carrego no peito.
Não houve acusações,
não houve julgamentos.

A parede me ouvia —
tudo aquilo que havia
ficado preso nos meus prantos,
nos meus lamentos.

Tanta frieza.
Tanta dureza.
Ainda assim, a parede não me julgava.
Me encarava séria.
Seriamente, eu a via.

Levei o silêncio em consideração
e passei a ouvir o eco em mim:
o vazio que meu corpo trazia.

Em mim, o eco.
Na parede, o oco.
Talvez me falte a sanidade.
Talvez eu seja isso — louco.

Mas foi a parede quem me salvou
de ouvir a voz que há em mim.
Como uma amiga, ela me impediu
de dar a esta história um fim.


por Afonso Baldez

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