Poema Meu - Ruminante


Não há mar com mais lágrimas que os meus olhos,
Nem amar mais impraticável que o que guardo no peito.
Não há desespero maior que o causado pela desesperança,
Nem espera mais ansiada que a do passado obstinado.

Não há realidade que sobreviva a este sonho,
Nem imaginação que conceba um desfecho dissemelhante.
Transito por esses graus comparativos
E permaneço entre esses graus superlativos,
Enquanto a minha sobrevivência
É garantida pelo ontem.


por Afonso Baldez

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