Poema Meu - Déjá-Vu
Não será amanhã,
Nem depois.
Não será daqui a uma semana,
Ou três — nem depois de um mês.
Mas vai acontecer:
Você vai me esquecer.
Como quem esquece onde deixou as chaves,
Como quem esquece o próprio número de telefone,
Como quem esquece uma lembrança boa da infância.
Perdoe-me a petulância,
Mas tudo começa por não lembrar do meu rosto.
Serei como um personagem qualquer em seus sonhos:
Sem fala, sem face, sem relevância.
Depois, virão as manias esquecidas:
A organização, o café na cama, a cantoria...
Esquecerá como era estar na minha companhia.
Em raros momentos,
Ao encarar olhos alheios,
Terá a impressão de já ter visto aqueles olhos antes.
Mas será irrelevante —
Pois não saberá como estão os meus.
Continuarão tristes?
Ainda comunicarão mais que a própria fala?
Quer mesmo saber essas coisas?
Quer mesmo lembrar como era?
Muito tempo vai passar.
Muitas pessoas você encontrará.
Muitos olhos irá encarar.
Muitas peles irá tocar.
E muitas outras coisas irá esquecer.
E quanto a mim?
Quanto ao que sentia por mim?
Quanto ao que representei pra você?
Não passará de um déjà-vu.

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