Poema Meu - [Di]Fuso Horário

Não vês?
Mas sentir… sentes?
Sentes — e sentes muito.
Eu sei.
Como sei que a falta é presença constante.
Constantemente.
Esse sentimento conscrito,
Que aperta o peito
Feito o abraço que só se sente no passado,
Quando o que havia entre nós
Estava à frente, atrás, ao lado…
E por dentro.
Você tenta, não tenta?
Mas a memória é inimiga
Dessa intriga que se aloja na cabeça,
Que dá frio na barriga,
Que deixa as mãos suadas,
Que irriga o coração com sangue e pressa.
Tão longe —
Mas de amor, tão perto.
E se tentaste sorver do ventre a paixão,
Na íris dos olhos, lágrimas;
Na palma da mão, deserto.
O amor em outro [di]fuso horário…
De certo, não deu certo.
por Afonso Baldez
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