Poema Meu - Presentemente


Excepcionalmente hoje,
a saudade de você me incapacitou.
Não queria mais nada do agora,
só você.

Hoje, queria ter acordado ao seu lado,
ver você serena, entregue ao sono,
beijar seus lábios,
sorver o hálito de manhã da sua boca.

Hoje, quis preparar seu café
e levar na cama,
saber se dormiu bem,
se descansou o bastante
pra mais um dia que, de novo,
te roubaria de mim.

Quis te cheirar antes e depois do banho,
observar o sagrado ritual
em que você se arruma,
te admirar — e não crer
que fui eu quem você escolheu.

Hoje, quis trocar mensagens bobas,
te ler e sorrir de canto de boca,
observar o tempo arrastado,
brincando, nos torturando,
até a hora do reencontro.

Hoje, quis chegar em casa,
beijar teus lábios de reencontro,
te olhar nos olhos com vontade,
soltar o peso da rotina,
te pegar no colo,
sentir o peso do meu mundo —
o calor do teu corpo.

Hoje, quis me deitar contigo,
sentir teus cabelos acariciando meu rosto,
teus glúteos sobre minha pélvis,
as pernas entrelaçadas,
te abraçar firme, forte, perto,
e sentir, por um instante, que somos um.

Hoje,
excepcionalmente hoje,
fui açoitado pela saudade,
sem saber o que será do amanhã,
querendo reviver o ontem.

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