Poema Meu - Saudades
Saudade existe
Mas só na nossa língua.
Ainda assim, me dá íngua
Pensar na infinidade de saudades que persiste.
Uma saudade pra cada um.
Saudade que eu sinto,
Que você sente,
E que sente outro algum.
Duvido que o barbeiro, saiba como é
A minha saudade dos teus cabelos,
Do cheiro, da forma,
Da vontade que eles tinham da minha barba.
Duvido que o motorista saiba como é
A saudade de dormir agarrado a você, com firmeza,
Compartilhando a cama e o calor do corpo,
Abraçado como se a protegesse do mundo.
Duvido que o frentista saiba como é
A saudade da tua voz, de te ouvir falar,
Do brilho nos olhos, da paixão
Quando falava das coisas que ama.
Duvido que o presidente saiba como é
A saudade de te ter pendurada no meu pescoço,
De te ouvir me chamar de “gostoso”, de “amor”,
De “amor da sua vida”.
Duvido que qualquer um no mundo saiba
Como é sentir saudade de um amor —
Mas não qualquer amor:
O amor da vida.
Palavra igual não existe.
Sentimento semelhante não convém.
O amor que tenho, resiste.
E, no fim das contas,
Essa saudade que sinto de você
Me faz bem.

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