Poema Meu - Desafetação
Noite estrondosa, embriagada,
olhos felinos cortando minha direção.
Desfilava entre estátuas de sal
e no fundo da íris guardava meu coração.
A esfinge enfim ganhava um rosto:
era bela, era séria, felina.
Ansiavam em mim rumores de arritmia,
solitário como bandeira esquecida na esquina.
Teriam as Moiras traçado tal destino?
Quisera Cronos permitir-me tanto tempo?
Lamento não ter roçado seus lábios cedo,
nem sentido em minhas mãos as pétalas de seus dedos.
Quisera ter mergulhado no mel daqueles olhos…
qual enigma escondia ela no bolso secreto do silêncio?
E quando sorriu — ah, quando sorriu —
o mundo inteiro tombou para me conceder vitória.
Rompeu-se a noite em clarões incandescentes,
trunfos brotaram do chão como brasas,
e meu peito, insurgente, ergueu-se em glória.
Cada sorriso dela era minha conquista,
bandeira rasgada erguida outra vez,
triunfo de um guerreiro sem guerra,
milagre suave que desviava a própria tez.
Sorria ela — e o tempo ajoelhava.
Sorria — e o enigma se abria.
Sorria — e minha alma, exausta de solidão,
reencontrava a própria rebeldia.
olhos felinos cortando minha direção.
Desfilava entre estátuas de sal
e no fundo da íris guardava meu coração.
A esfinge enfim ganhava um rosto:
era bela, era séria, felina.
Ansiavam em mim rumores de arritmia,
solitário como bandeira esquecida na esquina.
Teriam as Moiras traçado tal destino?
Quisera Cronos permitir-me tanto tempo?
Lamento não ter roçado seus lábios cedo,
nem sentido em minhas mãos as pétalas de seus dedos.
Quisera ter mergulhado no mel daqueles olhos…
qual enigma escondia ela no bolso secreto do silêncio?
E quando sorriu — ah, quando sorriu —
o mundo inteiro tombou para me conceder vitória.
Rompeu-se a noite em clarões incandescentes,
trunfos brotaram do chão como brasas,
e meu peito, insurgente, ergueu-se em glória.
Cada sorriso dela era minha conquista,
bandeira rasgada erguida outra vez,
triunfo de um guerreiro sem guerra,
milagre suave que desviava a própria tez.
Sorria ela — e o tempo ajoelhava.
Sorria — e o enigma se abria.
Sorria — e minha alma, exausta de solidão,
reencontrava a própria rebeldia.
por Afonso Baldez

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