Poema Meu - Deusa
No altar do teu colo, eu rezo
Com fé inconstante,
Diante do afago que me garante
Alento e tranquilidade —
És, pra mim, deidade.
Minh’alma, como oferenda
Da minha fiel devoção.
E ao chorar de tanta emoção,
Não espero por milagre algum
Que me ouça ou salve de lugar nenhum.
Já não sei se é amor ou temor
O que preenche este vazio,
O que te faz ver o que ninguém viu:
Tanto amor por ti, que me rege —
E, ao olhar pra mim mesmo, enxergo um herege.
És Deusa pra mim,
De louvor infindável,
De paixão inabalável,
De lutas que tuas cicatrizes mal escondem,
Pois sei que, além de tudo, és mulher — e te compreendem.
por Afonso Baldez

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