Poema Meu - (Dura)nte a Noite


No início daquela noite
Eu não podia beijar sua boca —
poderia manchar o batom.
Não podia acariciar sua fronte —
borraria a maquiagem.
Não podia abraçá-la —
amarrotaria suas roupas.
Não podia pegar sua mão —
desestabilizaria seus passos.

No final daquela noite,
enquanto ela gritava comigo,
as lágrimas lhe borravam o rímel.

Durante a noite,
a distância entre nós só aumentava.
Dura foi a noite.
Mas a manhã seguinte —
foi bem pior.


por Afonso Baldez

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